Centenário da Semana de Arte Moderna no Brasil

* Por Isabella Cesar


(obra de Anita Malfatti)


Em meio a um cenário turbulento aconteceu um dos movimentos mais importantes nas artes e nas letras do Brasil e, podemos afirmar, que em meio a um novo cenário nada tranquilo, a Semana de Arte Moderna terá a comemoração dos seus 100 anos.

Vamos caminhar por essa história e apreciar o legado deixado desse momento.


Foi no ano de 1922, no mês de fevereiro, que houve uma importante manifestação de artistas e intelectuais. A Semana de Arte Moderna aconteceu na cidade de São Paulo, no Teatro Municipal.


Semana de 22, como também é conhecida, nasceu num momento em que o mundo assistia aos registros do fim de uma grande guerra e no Brasil acontecia o fim da monocultura do café. Vivia-se uma época de inquietações em todos os sentidos ... Rio de Janeiro era a capital do Brasil.


A intenção do evento era aproveitar o panorama mundial da época para, então, se distanciar do formalismo e academicismo ainda vigentes e ir de encontro às novas tendências artísticas e literárias, conquistando a liberdade de expressão.


Foi um movimento idealizado pelo escritor Oswald de Andrade, o também escritor Mario de Andrade e o artista plástico Di Cavalcanti. Unidos a outros artistas e intelectuais descontentes com a demanda cultural do país, formaram um grupo para exibir um novo padrão artístico em todos os seus segmentos. Com a proposição de inovar o ambiente artístico-cultural brasileiro, se lançaram em busca de popularizar a arte e ter uma identidade artística.


Entre os participantes estavam Anita Malfatti, Heitor Villa-Lobos, Menotti del Picchia, Graça Aranha, Sergio Buarque de Holanda, Victor Brecheret entre outros. Alguns eram recém-chegados da Europa, onde passaram anos estudando. Mesmo estando em busca de criar uma arte brasileira, eles mantinham referências e inspirações nas vanguardas europeias como futurismo, cubismo, dadaísmo e pautadas nelas expuseram as novas tendências artísticas.


No entanto, o evento não foi bem aceito pelos visitantes. As exposições de pinturas e esculturas aconteceram diante de indignações; o público chegou a pensar que os quadros estavam pendurados tortos na parede mas, na verdade, as pinturas já apresentavam um caráter moderno. As palestras, poesias e poemas foram lidos e declamados diante de vaias e gritos da plateia.


A mídia não abriu espaço para o evento e o real valor da Semana de Arte Moderna só aconteceu com o passar dos anos. Vale ressaltar que um dos críticos mais ferrenhos foi Monteiro Lobato e que a Dama do Modernismo Brasileiro, Tarsila do Amaral, não participou da Semana de Arte Moderna, pois nessa época morava em Paris, onde estudava. Manuel Bandeira, nome importante, não esteve presente porque adoeceu.


A Semana de Arte Moderna abriu novos caminhos, proporcionou novos olhares nas artes e nas letras do nosso país e foi a partir dessa data que iniciou uma cultura basicamente nacional.

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